Zurich

Com todas as qualidades já conhecidas da Suíça, fomos à bela vizinha da capital, descobrir coisas novas
[Texto e Fotos: Johnny Mazzilli]

Zurich_01Rio Limmat, que corta a cidade e desemboca no Lago de Zurich

 

Era minha quarta viagem à Suíça, no final de novembro. O inverno havia chegado, as noites já eram mais frias e o vento soprava mais constantemente. Mas a chegada do frio fez a cidade ainda mais acolhedora, com seus pubs, cafés, lojas e restaurantes charmosos e cheios de gente bonita.
Cheguei a Zurich em um fim de tarde, vindo da Noruega, um pouco cansado de esperas e conexões. Deixei as coisas no hotel e saí rapidamente, para não perder tempo. Era uma tarde nublada e cinzenta, e que às vezes, através de nesgas de céu aberto, entrava uma luz quente e rasante. A cidade estava vestida para as celebrações de fim de ano, com muitas luzes e decorações públicas. Em menos de três dias eu deixaria a cidade rumo à Interlaken, ao sul, mais próxima ao centro desse pequeno e surpreendente país.

Em dois dias é possível conhecer bastante coisa nessa “pequena cidade grande”. A capital da Suíça é Berna, distante uma hora de trem, mas Zurich é a maior e mais conhecida cidade do país. A Bahnhof-Platz é a praça central dos tradicionais bondes azuis, uma excelente opção para passeios. Como a cidade não é grande, uma hora a bordo de um deles já é suficiente para ter uma boa visão geral. O sistema é um dos melhores e mais eficientes do mundo. Os strassenbahn – bondes – saem pontualmente do terminal central, e dali vão a toda parte.
Uma cena bastante comum: muitas vezes, os bondes param a uns 20 metros do ponto, porque chegaram alguns segundos adiantados. O condutor permanece de olho no relógio, e torna a movimentar a composição de forma a chegar ao ponto exata e pontualmente, nem 10 segundos antes e nem depois. Além de pontuais, eles são silenciosos, limpos e confortáveis. O passe diário sai mais barato do que pagar os bilhetes individualmente.

No começo de dezembro, os comerciantes de Zurich recebem da prefeitura pequenas árvores de natal naturais, todas do mesmo tamanho, para serem postas nas portas de seus estabelecimentos. De 10 a 23 de dezembro, a famosa marca de chocolates suíços Lindt passa todas as manhãs pendurando bolinhas de chocolate nas árvores, para a população beliscar. Desnecessário falar – a civilidade permite o insólito.
Zurich tem sido repetidamente apontada como uma cidade com os mais altos níveis de qualidade de vida, e sua população é uma das mais bem servidas em educação, saúde e trabalho. Tudo tem seu preço – os salários são pesadamente taxados e o custo de vida é muito alto – mas tudo funciona impecável e exemplarmente bem. Os impostos estão presentes na educação, na saúde, nos transportes públicos e na invejável infraestrutura do país.

Geograficamente, Zurich situa-se numa posição central na Europa, o que faz da cidade um grande hub ferroviário que irradia em várias direções, com mais de duas mil conexões diárias desde a estação central. Partindo de Zurich, chega-se a Paris em 4h30m, a Milão em 3h30m e a Munique em 5h. Há conexões para as mais importantes cidades da Suíça em curtos intervalos de tempo, e com um número menor ou maior de conexões, é possível ir a praticamente todas as localidades dentro da Suíça.

O roteiro de artes no centro histórico merece atenção. A abadia de Fraumünster tem vitrais de Marc Chagall, e a central de polícia de Zurich tem quadros e seis murais do suíço Alberto Giacometti. Em Zürichhorn, uma área verde às margens do lago, a criançada brinca na escultura de Henry Moore. Zurich tem um pouco de tudo. Prédios empresariais supermodernos, uma infinidade de instituições financeiras e um bairro muito bonito, o Alt Statd, ou Cidade Velha. A cidade foi erigida às margens do lago Zürichsee, e é cortada pelo rio Limmat.

Outro ponto histórico muito interessante é o Cabaret Voltaire. Fundado em 1916, era palco de saraus famosos e exposições de artistas como Guillaume Apollinaire, Kandinsky, Max Ernst e Paul Klee, grandes nomes do Dadaísmo que, mais tarde, debandariam para a França. O espaço, reformado, reabriu em 2004.
A neutralidade suíça tornou o país um bem vindo refúgio para intelectuais e artistas europeus na conturbada primeira metade do século XX. Lenin morou por três anos em Zurich, em uma casa que hoje abriga uma loja de jogos pedagógicos modernos. Albert Einstein deu aulas no Instituto Federal de Tecnologia, em seu início de carreira.

Os escritores Thomas Mann e James Joyce, também viveram na cidade. Dizem que até Benito Mussolini, dentre outros, já esteve sentado nos bancos do Café Odeon, que até hoje mantém a decoração original art nouveau, embora tenha perdido parte de seu espaço. Vá visitar o Schweizerisches Landesmuseum, com sua magnífica coleção de história suíça. E para uma vista panorâmica da cidade, suba a torre da Uetliberg TV. Os trens para lá partem da estação Selnau, um trajeto de 30 minutos.
Para um turista, Zurich é um lugar muito agradável, com muitos bares, restaurantes, galerias, museus, um comércio pujante e variado (e caro), bons hotéis, transportes eficientes e uma gastronomia variada e saborosa (e calórica). Embora o centro de comércio situe-se na Bahnhof Strasse, há também muitas lojas com grande diversidade de artigos típicos na rua Limmat-quai e nas pequenas ruelas perpendiculares a ela.

Zurich_07A 2.850 metros de altitude, a montanha Uetliberg oferece uma impressionante
vista panorâmica da cidade, 
do lago e dos Alpes, ao fundo

 

Há muita coisa para ver nas ruas Rindermarkt, Neumarkt, e Kirchgasse. Depois de visitar o prédio da Operhaus, a Casa de Ópera de Zurich, caminhe até o Seefeld Quai, o parque que margeia o lago. Procure pelo ponto chamado Zürichhorn, de onde se tem uma linda vista da cidade e das montanhas em volta. Volte em direção ao centro, atravesse a ponte Quai-Brucke e prossiga até Burkli-Platz. Lá, vários barcos oferecem roteiros turísticos pelo lago. Visite ainda o Tonhalle Kongresshaus e a bela igreja de Kirche Enge.

Uma dica: não gaste dinheiro comprando caríssimas garrafas de água. Pela cidade existem mais de 1.200 fontes, algumas delas verdadeiras preciosidades arquitetônicas, e nelas você enche sua garrafinha. Para a hora do almoço, vá até Paradeplatz, ao restaurante Zeughauskeller, na Bahnhofstrasse 28, um prédio histórico recentemente reformado, onde são servidos deliciosos pratos típicos num ambiente reproduzindo uma adega de 1487.

Vale a pena também visitar a Grossmünster, a principal catedral da cidade, num dos pontos mais nobres de Zurich.
Em seguida, siga pela Nieddorfstrasse, com seus muitos bares e restaurantes, e ótimas opções para o jantar. O lugar é especialmente agitado à noite, com muita música ao vivo.

Não deixe de experimentar a raclette, um prato típico suíço, que consiste em uma raspa de queijo raclette derretido, servido no prato com picles, pão e batatinhas cozidas com a casca. Ou o rippli, a costela de porco com bacon, batata e feijão. Ou vá no tradicionalíssimo fondue, anos-luz melhor do que quaisquer de seus congêneres disponíveis no Brasil.

Após dois dias em Zurich, enveredando por toda sorte de recantos, aluguei um carro e segui rumo a lnterlaken, uma pequena cidade que, como o nome sugere, situa-se entre dois lagos. Lá, uma day trip de trem me levou à mais alta estação ferroviária do mundo, a 3.471 metros de altitude, o Jungfraujoch. E de Interlaken, prossegui explorando este que é “um dos grandes países desconhecidos”, como já disse alguém. •

 


 

Info & By Yourself

Quem Leva
A SWISS tem voos diários de São Paulo a Zurich.
www.swiss.com
[11] 3048 5810

De trem pela Suíça
Swiss Travel System
www.swisstravelsystem.com

Onde Ficar
Zurich
Hotel Du Theatre
www.hotel-du-theatre.ch

Turismo na Suíça
www.MySwitzerland.com

 

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