Vinicius a Portinari: “não vá tomar pilequinho!”

A ditadura militar acabou em 1985, mas a censura apenas mudou de endereço. Antes prerrogativa do regime autoritário, hoje continua, sob patrocínio da Justiça, que pode impedir – a pedido dos próprios biografados ou de seus parentes – a circulação de biografias de pessoas vivas ou mortas. Os autores têm que driblar a “censura dos herdeiros” para levar ao público as vidas que os brasileiros gostariam, mas não podem conhecer mais a fundo. Tal é o caso do recémlançado “100 Vinicius 100”, primoroso trabalho do jornalista Alex Solnik. Ele entrevistou 15 amigos, ex-mulheres e parceiros de Vinicius de Moraes e transformou as entrevistas em depoimentos, evitando a necessidade de autorização dos herdeiros do poeta, que não autorizam nenhum trabalho que não seja produzido por eles.
Devidamente editados, os depoimentos de Oscar Niemeyer, Ferreira Gullar, Nana Caymmi, Jorginho Guinle, Lan, Gilda Mattoso, Miúcha, Sergio Cabral, Zélia Gattai, Carlinhos Lyra, Toquinho, Wimer Bottura, Maria Christina Gurjão, Haroldo Costa e Paulo Jobim, podem ser saboreados como pequenas e deliciosas crônicas, nas quais o personagem principal vive mirabolantes aventuras testemunhadas pelos entrevistados.
Em testamento que deixou para a então mulher Maria Christina Gurjão, Vinicius fornece lista de seus devedores, indica onde os herdeiros devem procurar seus direitos autorais e formula seu último desejo: “não me enterrem, me joguem no mar!” Em carta ao amigão Cândido Portinari, Vinicius recomenda: “Não vá tomar pilequinho, agora você é pai!”

CA_VINICIUS peq
100 Vinicius 100Alex Solnik
272 páginas – BB Editora
R$ 49,90

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>