O Universo do Luxo criado por Valentino

Valentino Garavani iniciou precoce e consistente sua carreira no mundo do luxo. Seu talento o fez reinar no mundo da alta costura, desenhar e vestir celebridades e, ainda, ter sucesso nos negócios ao batizar um grupo de marcas de moda conhecidas mundialmente com o seu nome
Por Francine Aristmunho

 

Valentino 01 Destaque VALENTINO

A arte sempre esteve impressa no seu DNA . Interessado desde menino por pintura, escultura e arquitetura, Valentino Garavani se revelou um precoce talento no mundo fashion. Nascido em 11 de maio de 1932 em Voghera, cidade italiana localizada ao sul de Milão, iniciou desde jovem seus estudos sobre moda. Aos 17 anos, ainda no ensino médio, Valentino mudou-se para Paris para prosseguir seus estudos na École des Beaux Arts e Chambre Syndicale de la Culture Parisienne.
Graças ao primeiro lugar num concurso de estilismo, em 1952, o jovem Valentino conseguiu um trabalho, ainda como aprendiz, no ateliê de Jean Desses, onde ele costumava ajudar Jacqueline de Ribes esboçar ideias de vestidos. Seus cinco anos de experiência por lá foram suficientes para arrecadar histórias e referências exóticas como as de Roma e abrir seu próprio ateliê.
Os anos 1960 foram anos de ouro. Em meio à pura efervescência cultural, cinema e glamour, Valentino foi descoberto pelas celebridades que costumavam visitar Roma durante a “Dolce Vita” e logo começou a ser chamado de Golden boy da alta costura italiana. Ainda em Roma, por conta das filmagens de Cleópatra, Elizabeth Taylor descobre o novo designer, se encanta com o seu trabalho e encomenda um vestido para usá-lo na estreia mundial do filme Spartacus – noite na qual ela e Richard Burton iniciaram um dos romances mais famosos de Hollywood. A partir daí Valentino se consagra como o estilista das celebridades.
A primeira mostra oficial da coleção do estilista aconteceu em 1962, no Palazzo Pitti em Florença, a então capital da moda italiana.
O desfile foi um sucesso e Valentino dera o passo certeiro em direção ao estrelato; ele era genuinamente bem-vindo no mundo da moda – considerado um mestre da alta costura italiana. Poucas horas depois do final do desfile, todos os vestidos apresentados foram vendidos. Ele conheceu, então, uma ascensão contínua, tendo sua carreira valorizada com vários prêmios, sendo um deles o prestigioso Neiman Marcus Fashion Award, em 1967. No mesmo ano ele assinou o vestido que Jackie Kennedy usou para se casar com Aristotelis Onassis e lançou a coleção Valentino White, que se tornou famosa pelo logo “V” projetado em suas criações desde então.
A década de 1970, marcada pela expansão e reconhecimento mundial da marca, começa com a criação de uma coleção masculina e feminina ready-to-wear, passa pelas inaugurações das primeiras lojas nas cidades de Roma e Milão e a estadia de Valentino, na maior parte do tempo, em Nova York – sendo ele aclamado por celebridades como Steve Rubell e Andy Warhol. Além do vestuário, o designer passa a introduzir em sua linha objetos de decoração de interiores através dos têxteis, móveis e papéis de parede, além de perfumes – em 1978 é lançado com pompa a fragrância Valentino Classique, numa noite de gala no teatro Champs-Élysées. A expansão Valentino continuou com a abertura de sofisticadas maisons nos Estados Unidos e Japão. A essa altura de sua trajetória e com o mundo aos seus pés, ele era aceito – sem restrições e pré-requisitos – nas rodas da alta costura francesa, tudo conquistado pelo seu trabalho de criação e suas referências.

 

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Durante a década de 1990, Valentino realizou alguns feitos. Em 1991, ele lançou sua coleção spring-summer como protesto à Guerra do Golfo; o “vestido da Paz” em crepe branco trazia a palavra “paz” escrita em 14 idiomas bordadas com pérolas e, em 1998 o designer abre a Academie Valentino, um centro cultural localizado próximo ao ateliê de Valentino em Roma. Foi também na década de 1990 que Garavani completa seus 30 anos na costura, comemorados com uma festa de gala. Ainda nesta década, Valentino vende sua empresa à Holding di Partecipazioni Industriali (HDP) por US$ 300 milhões e continua como o único estilista da marca. Mais tarde, em 2002, a Valentino HDP é vendida à Marzotto Group, outro grupo italiano de bens de luxo. Com o novo proprietário vieram novidades como a marca Valentino RED lançada em 2003 e a segmentação da marca em Valentino, Valentino Garavani, Valentino Roma e Valentino RED. Após a reestruturação do grupo que reúne marcas como M Missoni e Hugo Boss, a holding é batizada de Valentino Fashion Group, faturando aproximadamente €1.72 bilhões.
Os anos seguintes foram de expansão para a marca italiana que inaugurou lojas em importantes cidades como Dallas, Bangkok, Buenos Aires e São Paulo. Atualmente, a Valentino opera em 70 países, com mais de 1.250 lojas.

 

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Do real ao virtual
Valentino Garavani decidiu sair de cena em 2008 – ele se aposentou depois de 45 anos vestindo importantes nomes no mundo, como as atrizes Sophia Loren e Audrey Hepburn. Em seu último desfile, ele foi aplaudido de pé pelos 800 convidados que estavam no Museu Rodin em Paris – na passarela, vestidos impecáveis dentre pretos e brancos e a sua cor mais marcante, o vermelho. Em nota oficial, Valentino diz: “Como fazem os ingleses: eu gostaria de sair da festa quando ela ainda está cheia”. Segundo o designer, a moda de hoje em dia tem levado a criatividade dos estilistas – e ele sai de cena, pois os sonhos não estão mais na moda. Ao invés disso, os sonhos podem ser capturados apenas com a nossa visão. Talvez seja por esse motivo que ele inaugurou o
Valentino Garavani Virtual Museum, o primeiro museu digital que oferece uma visão aproximada de todo o acervo do estilista acurado durante os 45 anos de carreira. O museu, inaugurado em dezembro de 2011, confere ao espectador uma experiência em tempo real e 3D extremamente realista e detalhada, exatamente a la Valentino.

 

Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli Foto Mikael Jansson

 

Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli [Foto Mikael Jansson]

 

O olhar de Valentino
Valentino é um apaixonado por vestidos – paixão que perdura por todos os seus anos de profissão. O estilo de Valentino é mais jovem, romântico e sonhador, acima de tudo impecavelmente costurado – este é o charme e a maestria de Valentino. Porém, não só vestidos ele sabe fazer. Valentino pode criar os mais ricos detalhes de uma roupa tanto quanto suavizar a costura de um blazer ou de um jeans. Ele eleva o status de toda e qualquer peça – uma t-shirt torna-se um vestido ao adicionar seda e pedras nas mangas; uma manta de malha pode contrastar com um chiffon texturizado – e fica perfeito! Valentino diz que tudo deve ser produzido nos mínimos detalhes, dos pés à cabeça.
Talvez por toda sua essa exigência combinada com seu talento que ele seja o único estilista que combine perfeitamente os bordados franceses com o acabamento italiano.

 

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Valentino São Paulo
O universo Valentino emerge nos ares de São Paulo abrindo duas boutiques no Shopping Cidade Jardim. A Valentino dispõe de caráter e atmosfera de um palazzo – um espaço pessoal e não apenas uma loja, concebida pelo arquiteto famoso mundialmente, David Chipperfield.
Unindo o clássico ao contemporâneo, a loja transmite claramente as mais recentes linhas da Valentino. A marca também apresenta ao público paulistano a RED Valentino.

 

Valentino 06 Foto Denise Andrade

RED Valentino
A RED Valentino inaugura lançando sua coleção Outono/Inverno 2012/13, prêt-a-porter e acessórios criados pelos Diretores de Criação da Maison Valentino – Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli.
A RED Valentino narra um conto de fadas moderno, em que uma jovem heroína embarca numa jornada fantástica e elegante. A protagonista do conto reinventa seu mundo encantado como uma princesa sonhadora e moderna. Ela mostra sua personalidade alegre, feminina e delicada brincando e experimentando peças de seu guarda-roupa – suas escolhas são marcantes e intuitivas, refletindo seu espírito excêntrico e o universo de conto de fadas RED Valentino.

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