A hora e a vez do charuto nacional

Antes preterido pelo consumidor, pode-se dizer que nosso o charuto deu a “volta por cima” com investimentos em tecnologia e agora aposta em lançamentos de qualidade para reconquistar seu mercado
Por Edgard Reymann | Fotos Divulgação

Monte Pascoal

O Brasil produz tabaco para charutos desde o século 19, quando alguns pioneiros se estabeleceram na região do Recôncavo Baiano e começaram a cultivar o tabaco mata fina, até hoje considerado um dos melhores do mundo e constantemente incluído no mix de folhas de vários charutos produzidos no exterior, especialmente na Alemanha. E foi um alemão, Gerhard Dannemann quem primeiro se dedicou a exportar nosso tabaco para Europa.
Passada de pai para filho, desde 1873, ela é a mais velha charutaria do Brasil em atividade. Mas até bem pouco tempo atrás, os charutos brasileiros existentes no mercado eram de difícil consumo. Comparado com qualquer concorrente da América Central, como os dominicanos e hondurenhos, sempre saíam perdendo. A culpa, logicamente, era dos produtores nacionais, que pouca atenção davam ao nosso mercado. Com a abertura do mercado para os importados, há mais de vinte anos, o gosto do brasileiro evoluiu em todos os sentidos. Do segmento de bebidas ao charuto, da moda à escolha do automóvel, o consumidor começou a perceber o que é bom e o que não é tão bom, levando nossos produtores a mudar de mentalidade e passar a visar mais o mercado interno.
Com o charuto, pode-se dizer que 2012 foi ano em que começaram a aparecer charutos que refletem a qualidade do produto nacional – especialmente o Mata Fina – e até inovações no cultivo de sementes, que estão tornando nosso charuto um produto atraente.
Marcas como Monte Pascoal, Dannemann, Dona Flor e Menendez, além do Damatta e do Diogenes Puentes se solidificaram como as principais do mercado e seus produtos não ficam devendo em nada ao importado. Um dos fatores que contribuiu para isso foi o investimento das fábricas em tecnologia e um maior respeito ao tempo necessário para a maturação dos charutos. A escolha de folhas também tem sido mais criteriosa, e algumas fábricas investiram até em áreas de plantio exclusivo para garantir a qualidade constante.
É fato que, assim como o vinho, charuto não é produto que pode ser produzido como refrigerante, que basta estar pronto para se colocar na prateleira. Necessita uma espera em galpões climatizados, de quatro meses, pelo menos, até que possa ser consumido.
Entre as marcas brasileiras que estão na linha de frente do comércio, a Monte Pascoal tem sido reconhecida pela imprensa especializada: nos dois últimos anos, seu double corona e o robusto foram premiados pela respeitada publicação alemã Cigar Journal. Se o primeiro é mais leve e é ideal para uma fumada longa de mais de uma hora, o petit robusto é perfeito para após as refeições, um digestivo com certa potência para você iniciar uma tarde de trabalho, por exemplo.

 

Charutos Alonso Menendez
Charutos Alonso Menendez

A Dannemann tem na sua Artist Line seus melhores produtos, tendo no corona um charuto de muita personalidade, mas de aroma leve e refinado. O Damatta é uma das novidades do mercado, e seu graduado é o “queridinho” da fábrica, e a crítica é unânime ao apontá-lo como um charuto que em nada fica a dever aos cubanos em geral. A empresa é a única a fabricar toscaninos (charutos finos inspirados nos toscanos italianos) de qualidade também, e é um dos maiores sucessos da marca.
Já a Casa Menendez, cujos proprietários um dia foram os responsáveis pelo cubano Montecristo – até que Fidel estatizasse tudo – conseguiu uma maior regularidade nos últimos tempos. E tem duas boas notícias: seu puro Mata Fina, que até hoje só era vendido no kit Corpo e Alma, passa a ser vendido separadamente. Um sucesso estrondoso, muito apreciado onde quer que seja degustado, tanto aqui como no exterior.

 

Charutos Damatta
Charutos Damatta

A outra novidade é a releitura de seu Menendez Figurado, um charuto totalmente artesanal, desde a colheita das folhas, cuja produção é acertada com exclusividade junto a produtores baianos, até a sua embalagem. Já o cubano Diógenes Puentes, que até tempos atrás dedicava-se ao bom Don Porfirio, lançou uma linha com seu nome. A novidade é que ele próprio desenvolveu um híbrido de sementes cubanas e brasileiras, a qual chamou de Cubra. Sua folha é a que encapa todos os seus charutos, do robusto ao coronado, incluindo o belicoso. Ousado, seus charutos usam a densa folha Mata Norte, que se não maturada adequadamente deixa o fumo muito picante.

Dona Flor Corpo e Alma
Dona Flor Corpo e Alma
Não é o caso da linha de Diógenes, que sabiamente abranda a fumada encapando o charuto com a folha do seu exclusivo Cubra. Se fumar charuto nacional é agora algo prazeroso, dar umas baforadas podem ficar ainda melhor para o seu bolso. Geralmente custando em média a metade da concorrência dominicana e cubana – quando não menos que isso – nossos charutos saem ao consumidor final na faixa entre 18 e 20 reais.

Graduado Damatta e Alonso Menendez
Graduado Damatta e Alonso Menendez

 

Monte Pascoal Double Corona
Monte Pascoal Double Corona

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