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Manifesto

Pouco frequentadora de redes sociais, mas eletrizada após conversa com Lobão, não resisti postar sobre ele: “uma rara voz de combate no Brasil”. Até então.
Por coincidência ou não, seu livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, lançado naqueles dias com polêmica por não poupar tiros a nenhum lado, acabou por anteceder o tsunami de manifestos populares que tomou o país sem tampouco poupar ninguém. Centenas de milhares de vozes entravam no combate.
Assim como Lobão, que se apresenta ironicamente na obra como o “Nada” a quem venha lhe perguntar “Quem é você?”, uma das características mais comentadas na imprensa sobre as manifestações pelo Brasil tem sido a falta de uma identidade específica por trás. São outros milhares de “nadas”, de todos os tipos, igualmente contra tudo.
O povo “bovino”, como o mesmo Lobão se referiu ao brasileiro em 2012 durante o Forum da Liberdade em Porto Alegre resolveu, de repente, sair da mansidão. Pra segurá-lo, primeiro, e para não cair, depois, o governo também se apressou em mostrar sinais súbitos de moralização. Estaria a Terra do Nunca a ponto de virar, no grito, Terra do É pra Já? Dilma aterrorizada nesta capa de Paulo Caruso, outra obra anterior a tudo isso, comprova a função profética dos cartunistas, como ele mesmo comenta no bate-papo.
Pelas charges de Glauco a Di Cavalcanti em nosso Especial Cartum, também se vê que os políticos brasileiros não mudaram muito desde a República Nova. A ponto de Angeli, na fase atual, nem mais se preocupar em retratar a cara de cada um.

S.A.X., sim, mudou de cara. Volta à cena após período de transição e encubação, com liftings plásticos no projeto e retomada das capas autorais que lhe deram identidade, como as que ilustram esta página. A revista também retoma seu espírito original: que repudia a mediocridade e busca a originalidade, a ousadia, a crítica – e auto-crítica, a irreverência, a provocação com senso de humor e classe. Este é o nosso manifesto.

Camilla Schahin

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